Modelo de Kotter: como conduzir mudanças organizacionais com os 8 passos   

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Transformar uma organização não é tarefa simples. E a principal razão não é a falta de recursos, mas muitas vezes a ausência de uma metodologia clara para conduzir o processo. É aqui que entra o modelo de Kotter. 

Desenvolvido por John Kotter, professor da Harvard Business School, o modelo foi criado após anos de pesquisa sobre transformações bem-sucedidas e oferece um roteiro prático para implementar mudanças. 

Em 2026, a realidade é ainda um pouco mais complexa. A SMR, consultoria especializada em gestão de mudanças, identifica cinco tendências que prometem transformar a forma como as organizações lidarão com transformações: 

  • A fadiga de mudança recebe tratamento como risco operacional, exigindo priorização rigorosa; 
  • Líderes assumem responsabilidade direta pela implementação e remoção de obstáculos; 
  • As empresas adotam uso estratégico de dados e métricas para acompanhar prontidão e resultados; 
  • A capacitação contínua se integra ao dia a dia, substituindo eventos isolados de treinamento. 

Nesse sentido, a estrutura do modelo de Kotter se alinha perfeitamente com as demandas atuais de disciplina, liderança ativa e orientação por dados. 

O que é o modelo de Kotter? 

O modelo de Kotter é uma metodologia de 8 etapas que orienta líderes e gestores através do processo de mudança organizacional. 

Embora você deva iniciar os passos na ordem apresentada, eles não são estritamente lineares. Na prática, múltiplas etapas ocorrem simultaneamente. É comum e esperado que você revisite passos anteriores conforme a mudança evolui. 

Kotter entende que mudança verdadeira requer transformação ampla. Por isso, essa transformação impacta estruturas e processos. Principalmente, ela altera como as pessoas pensam e agem. 

A grande sacada do modelo está em reconhecer que mudança é tanto um processo emocional quanto racional. Por isso, cada etapa equilibra aspectos técnicos com elementos humanos, que são fundamentais para engajar equipes e garantir adesão. 

Leia também: Como aplicar a metodologia ADKAR nas mudanças da sua empresa – Hubber 

Em quais tipos de mudança você pode usar o modelo? 

A versatilidade do modelo de Kotter é uma de suas maiores forças. Assim, ele é especialmente eficaz para mudanças adaptativas, aquelas que exigem que as pessoas mudem comportamentos, mentalidades e formas de trabalhar. Confira alguns exemplos: 

1. Transformação digital 

Quando sua empresa precisa implementar novas tecnologias, automatizar processos ou migrar para plataformas digitais, o modelo ajuda a vencer a resistência natural à tecnologia. Ele garante que todos compreendam os benefícios da mudança. 

2. Reestruturação organizacional 

Mudanças na estrutura hierárquica, fusões e aquisições, ou redesenho de áreas e departamentos se beneficiam desta abordagem. Isso porque o modelo ajuda a comunicar com clareza as razões da mudança e a criar senso de urgência. 

3. Mudança de cultura organizacional 

Talvez a mudança mais desafiadora de todas. Quando você precisa transformar valores, comportamentos e formas de trabalho enraizadas na empresa, o modelo de Kotter é altamente eficaz. Afinal, ele foi desenvolvido estudando transformações corporativas amplas onde a cultura é frequentemente a maior barreira. 

Leia também: Eficiência e cultura na gestão de equipes internas e terceirizadas – Hubber 

4. Expansão e crescimento 

Quando a empresa está escalando rapidamente e precisa estruturar processos, contratar em massa ou expandir para novos mercados, o modelo garante que o crescimento seja organizado e sustentável. 

5. Virada em situações de crise 

Em momentos críticos (queda de faturamento, perda de mercado, mudanças regulatórias), o modelo oferece um caminho estruturado para recuperação. Isso porque ele mantém o time alinhado mesmo sob pressão. 

6. Transformação na experiência do cliente 

Quando é necessário repensar a forma como a empresa se relaciona com clientes, implementando novas jornadas, canais de atendimento ou modelos de relacionamento, esta metodologia traz estrutura ao processo. 

Os 8 passos do modelo de Kotter na prática

Imagem: Freepik

Mostre por que a mudança não pode esperar. Use dados, tendências de mercado e análises competitivas para despertar nas pessoas a consciência de que “seguir como está” não é mais uma opção. 

Mudança não acontece sozinha. Portanto, monte um grupo de líderes com poder, credibilidade e influência suficientes para conduzir a transformação. 

Esta não é uma equipe de projeto comum. Trata-se de um grupo com autoridade real para tomar decisões. 

Então, a coalizão precisa ter: 

  • Poder posicional: pessoas com autoridade formal para aprovar recursos e decisões; 
  • Expertise: conhecimento técnico relevante para a mudança; 
  • Credibilidade: reputação e respeito na organização; 
  • Liderança: capacidade de influenciar e motivar outros. 

Onde você quer chegar? A visão deve ser clara, inspiradora e comunicável em menos de 5 minutos. Se as pessoas não conseguem explicar a visão, ela não está clara o suficiente. 

Use todos os canais possíveis e lidere pelo exemplo. Suas ações devem refletir a mudança que você prega. 

Para isso, utilize e-mails, reuniões, murais, conversas informais, vídeos e podcasts internos, por exemplo. Depois, repita a mensagem em diferentes formatos até que todos a internalizem. 

Kotter sugere que a mensagem de mudança deve competir com todas as outras comunicações. Portanto, planeje comunicar muito mais do que você imagina ser necessário. 

Identifique e elimine barreiras que impedem as pessoas de agirem de acordo com a visão. Isso inclui processos burocráticos, sistemas defasados, estruturas organizacionais inadequadas ou falta de habilidades. 

Nada motiva mais que resultados visíveis. Por isso, planeje conquistas rápidas e visíveis nas primeiras semanas ou poucos meses para provar que a mudança funciona e manter o engajamento alto. 

Cuidado com a armadilha da vitória prematura. Use as primeiras conquistas para aprofundar a transformação e resolver problemas mais complexos. É aqui que a mudança realmente se aprofunda. 

A mudança só está completa quando se torna “o jeito como fazemos as coisas aqui”. Incorpore novos comportamentos em processos, políticas, rituais e, principalmente, nos critérios de contratação e promoção. 

Logo, atualize descrições de cargo para refletir novos comportamentos esperados. Inclua novos valores e competências nos processos seletivos. Ou seja, conte histórias de sucesso da mudança para novos funcionários. 

Começando sua jornada de mudança 

Imagem: Freepik

Se você está enfrentando qualquer um dos tipos de mudança mencionados acima, o modelo de Kotter oferece um caminho testado e comprovado. 

Mas, a pergunta é: você vai conduzi-las de forma estruturada ou deixar que aconteçam ao acaso? 

Checklist de diagnóstico 

Use estas perguntas para avaliar onde sua organização está: 

  • Criamos urgência genuína ou as pessoas acham que “isso também vai passar”? 
  • Nossa coalizão tem poder real ou é apenas um comitê consultivo? 
  • A visão é clara o suficiente para ser explicada em 5 minutos? 
  • Comunicamos a visão constantemente ou apenas no kickoff? 
  • Removemos barreiras reais ou apenas falamos sobre elas? 
  • Temos vitórias rápidas tangíveis para mostrar? 
  • Usamos o momentum para ir mais fundo ou declaramos vitória cedo demais? 
  • A mudança está virando cultura ou depende de alguns líderes específicos? 

Ponto de atenção: cuidado com o excesso de mudança 

Empresas que implementam muitas mudanças simultâneas ou consecutivas podem desenvolver fadiga de mudança. Como resultado, pode chegar ao ponto de as pessoas se tornam céticas, exaustas e resistentes a qualquer nova iniciativa. 

Sendo assim, se sua organização passou por múltiplas transformações nos últimos 2 a 3 anos, considere: 

  • Consolidar antes de expandir 

Garanta que mudanças recentes estejam realmente ancoradas antes de iniciar novas. 

  • Respeitar a capacidade de absorção 

As pessoas precisam de tempo para digerir transformações. 

  • Priorizar com rigor 

Use critérios objetivos para decidir quais mudanças realmente valem a pena. Pergunte-se: esta mudança passa pelo teste dos 8 passos? Se você não consegue criar urgência real (Passo 1), talvez não seja o momento. 

  • Medir o nível de fadiga 

Implemente pesquisas internas regulares para monitorar sinais de esgotamento e ceticismo em relação a mudanças, por exemplo. 

  • Coordenar iniciativas 

Eventualmente, organizações podem ter vários projetos de transformação acontecendo simultaneamente sem coordenação. Então, consolide ou sequencie. 

Quais serão as próximas mudanças da sua empresa? Conte com a Hubber para contratar as pessoas certas para cada uma delas. 

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